A Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS, na sigla em inglês) é uma complicação potencialmente devastadora da cirurgia intraocular. Causada por substâncias não infecciosas, seu diagnóstico é difícil até para os profissionais mais experientes.

De acordo com os dados da cartilha Medidas de Prevenção de Endoftalmites e de Síndrome Tóxica do Segmento Anterior Relacionadas a Procedimentos Oftalmológicos Invasivos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a incidência média é de 0,98%. Atualmente, a cirurgia de remoção de catarata é a que mais apresenta essa reação inflamatória. Porém, outras cirurgias oftalmológicas também podem sofrer com esse problema.

Sem dúvida, a Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS) é uma das mais temidas complicações após procedimentos oftalmológicos invasivos. Por isso, vamos explicar neste post o que é TASS, o que causa, sintomas e medidas de prevenção que os oftalmologistas devem adotar. Para, assim, reduzir ao máximo os riscos relacionados e garantir a segurança dos pacientes.

 

Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS) – o que é

 

Em primeiro lugar, vamos entender rapidamente o que é a Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS). Trata-se de um processo inflamatório causado por substâncias não infecciosas.

Atualmente, a média de incidência de TASS é de 0,98%. Porém, pode variar desde 0,07% até 2,13%. Está relacionada a algumas cirurgias oftalmológicas como remoção de catarata (que apresenta as maiores taxas), vitrectomia posterior, transplante de córnea e cirurgias combinadas de vitrectomia posterior e extração da catarata.

O que causa a TASS são substâncias com grau de toxicidade maior que o tolerado pelas estruturas intraoculares, sobretudo o endotélio corneano e a malha trabecular. De acordo com estudos, um nível maior que 0,25 Unidades de Endotoxina por mililitro (UE/mL), que pode estar presente nas soluções de uso intraocular, já é capaz de gerar TASS.

Desse modo, qualquer produto que apresente alterações em suas formulações pode provocar TASS se ultrapassado o limiar de toxicidade suportado.

Outro fator que favorece o surgimento de TASS é o processamento inadequado de instrumentais cirúrgicos e de produtos usados durante as cirurgias oftalmológicas. Por exemplo, o processo de limpeza e esterilização dos instrumentais tem sido constantemente citado como um fator associado à ocorrência de TASS.

Vale lembrar que soluções desinfetantes como glutaraldeído ou ortoftaldeído apresentam toxicidade incompatível com as estruturas intraoculares. Logo, altamente capaz de causar TASS. Todavia, estes saneantes não são registrados como esterilizantes no Brasil. Além disso, os produtos para saúde utilizados em procedimentos invasivos devem obrigatoriamente ser esterilizados. Então, não há a possibilidade de se usar estes saneantes para o processamento desses produtos.

 

Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS) – sintomas

 

Geralmente, os sinais clínicos aparecem nas primeiras 24 horas. Os mais frequentes são edema de córnea e reação de câmara anterior (CA). Já em menor proporção, há relatos de pupila irregular ou não reagente, midríase, aumento de pressão intraocular, hipópio, baixa acuidade visual (BAV) e, raramente, dores na região.

 

Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS) – diagnóstico e tratamento

 

De fato, o diagnóstico é difícil até mesmo para os oftalmologistas mais experientes. Isso porque é normal e até comum uma reação inflamatória leve e transitória na câmara anterior do olho após as cirurgias de catarata.

Na maioria das vezes, a evolução dos casos de TASS tem um prognóstico favorável. Entretanto, complicações podem ocorrer nos casos mais graves, necessitando de intervenção cirúrgica como transplante da córnea ou cirurgia antiglaucomatosa. Esse último devido à elevação da PIO quando impossível de ser controlada por meio de terapia medicamentosa.

Já em relação ao tratamento, normalmente é feito com medicamentos a base de corticoides.

 

Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS) – medidas de prevenção

 

Em seguida, conheça as principais medidas de prevenção relativas ao processamento de instrumentos cirúrgicos durante as cirurgias oftalmológicas:

  • Lavar os instrumentais imediatamente após o uso ou fazer uma pré-lavagem ainda no expurgo do centro cirúrgico, caso a lavagem imediata não seja possível;
  • Lavar os instrumentais oftalmológicos separadamente dos outros instrumentais;
  • Promover enxágue abundante dos instrumentais e vias de irrigação e aspiração, com água purificada utilizando preferencialmente pistola de enxágue com alta pressão;
  • Secar os instrumentais com ar comprimido medicinal filtrado;
  • Nunca utilizar soluções químicas como glutaraldeído, ortoftaldeído e ácido peracético no processamento dos instrumentais oftalmológicos;
  • Reutilizar produtos passíveis de processamento apenas após uma análise cuidadosa, atendendo as normas sanitárias e com envolvimento do Comitê de Processamento do Serviço de Saúde;
  • Adquirir quantidade suficiente de produtos para saúde, incluindo os instrumentais cirúrgicos para permitir tempo suficiente para o seu processamento, segundo POP padronizado;
  • Manter os colaboradores do centro cirúrgico e central de material e esterilização (CME) cientes dos possíveis eventos adversos e como preveni-los.

 

Fonte: cartilha Medidas de Prevenção de Endoftalmites e de Síndrome Tóxica do Segmento Anterior Relacionadas a Procedimentos Oftalmológicos Invasivos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Conclusão

 

Agora, você sabe tudo sobre Síndrome Tóxica do Segmento Anterior (TASS): o que é, o que causa, sintomas e medidas de prevenção em procedimentos cirúrgicos invasivos. Como vimos, o problema é de difícil diagnóstico e apresenta taxas de incidência baixas. Porém, é uma complicação potencialmente devastadora e que pode gerar diversos prejuízos à saúde do paciente.

Então, para prevenir os fatores de riscos relacionados a TASS, siga as dicas desse post retiradas da cartilha Medidas de Prevenção de Endoftalmites e de Síndrome Tóxica do Segmento Anterior Relacionadas a Procedimentos Oftalmológicos Invasivos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Contudo, para mais informações, você também pode acessar a cartilha disponibilizada pela Anvisa aqui.

 

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