Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sant Joan de Deu, da Espanha, e divulgada no periódico científico Science Translational Medicine mostrou resultados iniciais promissores em um novo tratamento para o retinoblastoma, um tipo de câncer que afeta os olhos de crianças.

Por meio do uso de vírus geneticamente modificado, o procedimento reduziu o tumor e evitou a metástase. Isto é, impediu que a doença se espalhasse para outras áreas do corpo. Os testes foram realizados em animais e em duas meninas, de dois anos cada, que já não respondiam mais a nenhum outro tratamento.

Com toda a certeza, essa nova pesquisa pode auxiliar no combate ao retinoblastoma. Ainda mais que, em muitas situações, a única alternativa para curar a doença é retirar o olho afetado.

De acordo com estimativas, 8 mil crianças sofrem com esse problema no mundo todo. Só no Brasil, são 400 novos casos por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ou seja, é uma doença muito rara.

Por isso, vamos falar neste post sobre esse novo tratamento que combate o câncer infantil nos olhos, como foi realizada a pesquisa e quais serão os próximos passos para comprovar que esse possível método pode ser eficaz na luta contra a doença.

 

A pesquisa

 

Em primeiro lugar, os pesquisadores expuseram culturas de células em laboratório – cultivadas a partir de tumores de 12 pacientes – ao vírus oncolítico. Isto é, um tipo de vírus geneticamente modificado para apenas se reproduzir dentro das células afetadas pelo câncer. Com isso, foi possível comprovar que o parasita era capaz de infectar e matar as células tumorais.

Em seguida, começaram os testes em animais. Em coelhos saudáveis, os efeitos colaterais foram inflamação e acúmulo de líquido na região, mas que sumiram em seis semanas. Nessa etapa, houve escape do líquido para outros órgãos, mas não ocorreram danos.

Depois, o vírus foi injetado em camundongos com retinoblastoma. O resultado foi promissor: durante meses, os olhos ficaram protegidos do estágio em que seria preciso retirá-los para evitar metástase.

 

Testes em humanos

 

Em seguida, o teste começou a ser aplicado em humanos. Neste caso, em duas meninas, de dois anos cada, que não reagiram a nenhum dos outros tratamentos –quimioterapia e radiação.

Na primeira, foi necessário remover o olho afetado porque ocorreu um processo inflamatório que impediu os pesquisadores de visualizar o progresso do tumor. Porém, alguns indícios avaliados posteriormente indicaram que o vírus estava atacando as células tumorais.

Na segunda paciente, o vírus destruiu parte do tumor. Mesmo com a inflamação, que foi controlada, não houve a necessidade de remoção cirúrgica do olho.

Apesar dos bons resultados alcançados, a pesquisa ainda está na fase inicial. Sem dúvida, é preciso ainda de vários outros testes para que esse possível novo tratamento seja aprovado.

 

Retinoblastoma

 

O retinoblastoma é o câncer infantil nos olhos mais comum, apesar de raro. De acordo com a definição do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tumor maligno origina-se das células da retina, que é a parte do olho responsável pela visão. Pode afetar um ou ambos os olhos. Geralmente, ocorre antes dos cinco anos de idade. Na verdade, o bebê já pode nascer com o problema.

Dentre os sinais e sintomas da doença, estão o reflexo brilhante que surge no olho afetado e a possibilidade de estrabismo, inflamação, conjuntivite, dor e inchaço no local e ainda a perca de visão.

Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre por meio de exame de fundo de olho.

 

exame de fundo de olho

Exame de fundo de olho realizado em adulto.

 

Mas, atenção: se há casos na família, a criança deve realizar exames e ser acompanhada por especialista durante os cinco primeiros anos de vida. Mais do que isso, todos os pacientes devem passar por estudo de aconselhamento genético para identificar os casos que são hereditários.

 

Tratamento

Com toda a certeza, o diagnóstico precoce é essencial para o sucesso no combate ao câncer infantil nos olhos. Por exemplo, quando o tumor ainda é pequeno, a doença á altamente curável. Ou seja, os tratamentos permitem que a criança continue enxergando normalmente.

Já nos casos mais avançados, o olho pode precisar ser retirado e ainda o paciente passar por quimioterapia e/ou radiação.

De fato, é uma doença extremamente perigosa e que pode levar a óbito quando não tratada corretamente ou quando diagnosticada tardiamente.

 

Conclusão

 

Por fim, você viu neste post sobre o novo tratamento que combate o câncer infantil. A pesquisa está sendo realizada pelo Instituto Sant Joan de Deu, da Espanha, e foi divulgada recentemente no periódico científico Science Translational Medicine.

De fato, os primeiros resultados são promissores. Porém, ainda são necessários muitos outros testes para validar essa técnica como um novo método para o tratamento do retinoblastoma. E esse é a próxima etapa do estudo.

 

Fontes: Science Translational Medicine, Folha de S. Paulo e UOL.

 

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