Há poucos dias, os jornais de todo mundo noticiaram a possibilidade dos medicamentos cloroquina e hidroxicloroquina (um derivado menos tóxico da droga) serem eficientes no combate ao novo coronavírus.

Isso porque pesquisas e testes realizados em todo o mundo apontam que o medicamento pode prevenir, evitar e até mesmo reduzir a severidade da covid-19 – doença causada pelo novo agente do vírus. Entretanto, os estudos são preliminares e ainda estão na fase experimental.

Mesmo assim, houve um boom na busca pelo remédio nas farmácias. Resultado: prateleiras vazias e falta no mercado, prejudicando diretamente quem realmente precisa para tratamento de malária, lúpus e artrite reumatoide, dentre outros problemas.

Além disso, o uso indiscriminado e sem acompanhamento médico do medicamento pode provocar diversos efeitos colaterais. Portanto, entenda a seguir como a cloroquina e hidroxicloroquina podem afetar o organismo.

 

Cloroquina e Hidroxicloroquina

 

Em primeiro lugar, vamos entender como funciona a cloroquina e a hidroxicloroquina. Atualmente, os medicamentos são empregados no tratamento de doenças reumatológicas, dermatológicas e de malária.

Por exemplo, as drogas são recomendadas para profilaxia e tratamento de ataque agudo de malária causado por Plasmodium vivax, P. ovale e P. malarie. Além disso, são indicadas para amebíase hepática e, em conjunto com outros fármacos, tem eficácia clínica na artrite reumatoide, no lúpus eritematoso sistêmico e lúpus discoide, na sarcaidose e nas doenças que provocam sensibilidade à luz.

 

Cloroquina e Hidroxicloroquina – efeitos colaterais

 

De fato, o uso de cloroquina e hidroxicloroquina pode acarretar diversos efeitos colaterais. Por isso, deve ser acompanhado por um médico para não gerar toxicidade.

Dentre os mais comuns, estão dor de cabeça, enjoo, vômitos, diarreia, dor de barriga, coceira, irritação e manchas avermelhadas na pele. Há relatos também de confusão mental, convulsões, queda da pressão sanguínea, alterações no electrocardiograma, visão dupla ou borrada, miopatia, arritmia e sangramento – este último quando combinado com outros fármacos, como anticoagulantes.

Além disso, o consumo prolongado pode também causar danos aos olhos, como alterações visuais e até perda de visão. Apesar da incidência baixa, estudos de caso mostram que as drogas podem afetar a mácula e a retina de maneira irreversível.

Um desses trabalhos apresentou o relato de caso de uma paciente, de 67 anos, com lúpus eritematoso sistêmico. A idosa utilizou cloroquina e hidroxicloroquina por 10 anos e 6 anos, respectivamente, e parou o consumo há 5 anos. Ela apresentou problemas como fotofobia e lesão na mácula em ambos os olhos mesmo depois da pausa.

outro estudo analisou o caso de uma paciente de 44 anos, portadora de artrite reumatoide há 19 anos. Ela usou fosfato de cloroquina durante dois períodos de 4 e 3 anos, intercalados por um período de 8 anos em que consumiu methotrexate. Ao final da segunda fase de uso de cloroquina, a paciente também apresentou danos na mácula.

Porém, a incidência de danos na retina e na mácula são baixíssimas. Por isso, é fundamental o uso desses medicamentos com prescrição e acompanhamento médico.

 

Cloroquina e Hidroxicloroquina – coronavírus

 

Há pouco tempo, cientistas começaram testes com o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. A Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, está realizando um experimento com 1,5 mil pessoas para averiguar se a hidroxicloroquina pode impedir ou diminuir a severidade da covid-19. Outros dois testes seguem com o mesmo objetivo.

Já na França, 24 pacientes com coronavírus foram curados após seis dias de tratamento com hidroxicloroquina ou azitromicina em comparação com 12,5% daqueles que não tomaram nenhum tipo de remédio.

Contudo, especialistas reforçam que todos os testes ainda estão em fase de experimento. Portanto, ainda é muito cedo para afirmar a eficácia das drogas na cura do novo coronavírus e determinar como protocolo de atendimento.

No Brasil, a Prevent Senior e a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein também iniciarão os testes com a cloroquina para tratamento da covid-19.

 

Alerta

 

A Anvisa e diversas entidades médicas, como o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), reforçam que todos os testes ainda estão em período experimental. Portanto, a população não deve fazer o uso indiscriminado dos medicamentos com o objetivo de combater a doença.

 

coronavírus

 

Em nota, a Anvisa diz que “apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da COVID-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde.”

Além de ressaltarem os efeitos colaterais, as entidades estão alertando sobre o perigo do fármaco para pacientes com doenças como epilepsia e psoríase. A droga também deve ser consumida com cautela por pessoas com doenças hepáticas, distúrbios gastrointestinais, neurológicos e sanguíneos.

Ou seja, o uso indiscriminado de cloroquina e hidroxicloroquina, sem prescrição e monitoramento médico, pode provocar diversos outros problemas. E, com os hospitais lotados, ainda prejudicará o atendimento de pacientes com coronavírus.

Para reverter esse quadro, a Anvisa também enquadrou a cloroquina e hidroxicloroquina como medicamentos de controle especial. “A medida é para evitar que pessoas que não precisam desses medicamentos provoquem um desabastecimento no mercado. A falta dos produtos pode deixar os pacientes com malária, lúpus e artrite reumatoide sem os tratamentos adequados”, afirmou.

Logo abaixo, veja na íntegra a nota da Anvisa.

Esclarecimentos sobre hidroxicloroquina e cloroquina

Diante das notícias veiculadas sobre medicamentos que contém hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento da COVID-19, a Anvisa tem os seguintes esclarecimentos:

Esses medicamentos são registrados pela Anvisa para o tratamento da artrite, lupus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da COVID-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação.

Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde.

 

Conclusão

 

Por fim, o uso indiscriminado de cloroquina e hidroxicloroquina pela população contra o novo coronavírus, sem prescrição e acompanhamento médico, pode provocar diversos efeitos colaterais.

Dos mais comuns e leves, como dor de cabeça, enjoo, vômitos e diarreia, até confusão mental, convulsões e visão dupla ou borrada.

Apesar dos resultados positivos alcançados por algumas pesquisas, os testes ainda são preliminares e estão na fase experimental. Portanto, o uso incorreto dessas drogas pode mais gerar problemas do que solução. Como, por exemplo, toxicidade ao organismo e falta do medicamento para quem realmente precisa, como portadores de lúpus, malária e artrite reumatoide.

 

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